quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

POLUIÇÃO DO RIO TEJO AMBIENTE - AMEAÇA ENCERRAR EMPRESAS



NOTA DE IMPRENSA

A Inspeção Geral do Ministério do Ambiente determinou novos mandados a empresas onde foram detetadas infrações contra o ambiente e solicitou a abertura de inquéritos criminais ao Ministério Público.
A Inspeção Geral do Ministério do Ambiente já determinou dois mandados a empresas que laboram junto da bacia do Tejo. Estas empresas terão que cumprir, no prazo estipulado pelos inspetores, as medidas para pôr fim às ações de poluição da bacia do rio Tejo, caso contrário serão encerradas.
Nos últimos dias, os inspetores investigaram 58 empresas tendo sido feita a proposta de abertura de dois inquéritos criminais junto do Ministério Publico. 
As presentes inspeções resultam da ação do Ministério do Ambiente que em articulação com a IGAMAOT (Inspeção), as três Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), estão a desenvolver um plano conjunto de inspeções para o território nacional, com especial enfoque na bacia do rio Tejo.
Desde agosto de 2015 que não eram homologados processos de inspeção que permitissem a punição dos infratores. O Ministro Joao Pedro Matos Fernandes já homologou os 120 processos pendentes, sendo que 30 dizem respeito à bacia do Tejo.
Recorde-se que recentemente, o Ministério do Ambiente determinou a criação da Comissão de Acompanhamento sobre a poluição no rio Tejo, que terá por missão avaliar e diagnosticar as situações com impacto direto na qualidade da água do rio Tejo e seus afluentes.

Projeto de Requalificação da 2.ª Circular - posição



Decorreu no passado dia 1 de fevereiro a sessão temática sobre o Projeto de Requalificação da 2.ª Circular, promovida pela Assembleia Municipal de Lisboa, após o período de discussão pública a que a Câmara Municipal de Lisboa sujeitou a proposta de intervenção.Desta sessão temática surgiu um documento síntese, que pode ser consultado aqui.

Filipe Beja, membro da Secção de Ambiente e Território, contribuiu para a sessão sugerindo uma reflexão, sintetizada nas seguintes notas.

- relembrou as atribuições e competências da Câmara Municipal de Lisboa no domínio dos transportes e comunicações previstas na legislação;

- relembrou os antecedentes políticos do projecto, nomeadamente o estudo "Lisboa, Desafio da Mobilidade", de 2005, que já referia necessidade de alteração da 2.ª Circular face às obras em curso da CRIL e do Eixo Norte/Sul;

- assinalou que nenhuma política pública de transportes ou rede de transportes deve ser dissociada do ordenamento do território. Os Instrumentos de Gestão do Território fazem o enquadramento da intervenção da 2.ª Circular e no caso do Plano Diretor Municipal de Lisboa já se previa a reclassificação da 2ª Circular como via de segundo nível municipal;

- reforçou que o programa de execução do PDM referia como principais objetivos o "Transformar a 2ª Circular numa via de carácter mais urbano, mais próximo do conceito de alameda urbana", assim como, o "acentuar a 2ª Circular como uma coroa linear de polaridade urbana que se interliga com os pólos de actividades económicas situados nos municípios de Loures, Amadora e Oeiras e radialmente com os restantes pólos existentes na cidade de Lisboa", ou seja, é notória a implicação que intervenção tem, à escala metropolitana;

- referiu que a Avaliação Ambiental Estratégica produzida pelo Instituto Superior Técnico em 2011, desenvolveu uma análise SWOT para o Factor Crítico para a Decisão: Mobilidade, na qual referia a "expansão da rede de metropolitano e eléctrico e criação de uma linha circular de metropolitano, de forma a aumentar a conectividade e fluência da rede" e a "aposta no aumento das ciclovias e integração na rede de mobilidade suave" como Oportunidades; referia-se ainda a "desestruturação da AML decorrente do uso de Transporte Individual", o "Crescimento do transporte individual como sério obstáculo à funcionalidade da rede à redução dos níveis de ruído e à melhoria da qualidade do ar" e o "esforço de investimento em infra-estruturas e sistemas de transporte pode não ser acompanhado por um efectivo crescimento do número de utentes do Transporte Coletivo" enquanto Ameaças da análise;

- relembrou o Programa Eleitoral da Câmara Municipal de Lisboa com o título "Lisboa – Uma Cidade para as Pessoas", que foi sufragado e no qual estavam previstas diversas medidas 

Face aos antecedentes e tendo em conta os  desafios contemporâneos de mobilidade sustentável e acessibilidade para todos, deverá ter-se presente a necessidade de intervir em diversas frentes, concretizando uma estratégia de mobilidade urbana integrada. Por esse motivo, alertou-se para:

 o respeito pelas atribuições e competências do município nas decisões respeitantes às operadoras de transporte público;

 a boa prática de inclusão de transporte coletivo em sítio próprio;

 o alargamento de redes de faixas Bus e a necessidade de promover o transporte público; 

 a necessidade de articulação com outras entidades, nomeadamente a Transportes de Lisboa e a Área Metropolitana de Lisboa.


A requalificação da 2.ª Circular é um processo que não começou a ser desenvolvido ontem, a empreitada não se conclui hoje e certamente muito teremos que continuar a intervir depois de amanhã. É por isso que esperamos que se mantenha a forte determinação de ir mais longe, de aprofundar uma intervenção cujas competências não se encerram apenas na CML.

A promoção de um transporte público de qualidade, a melhoria da qualidade ambiental e a garantia da sustentabilidade dos recursos que são de todos nós, exigem um esforço de trabalho conjunto com a Assembleia Municipal de Lisboa, Infraestruturas de Portugal, Instituto da Mobilidade e dos Transportes, Área Metropolitana de Lisboa, Transportes de Lisboa, restantes operadores de transportes à escala metropolitana, utentes da 2ª Circular e Lisboetas em geral. 

Estes são os votos de trabalho contínuo que pretendemos assinalar, conscientes também, da árdua tarefa que é governar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

AMBIENTE AVALIA PROJETOS DE GESTÃO MAIS EFICIENTE DE RESÍDUOS URBANOS NO VALOR DE 170 MILHÕES DE EUROS


NOTA DE IMPRENSA

O POSEUR está a analisar 97 projetos destinados à “Promoção da reciclagem multimaterial e valorização orgânica de resíduos urbanos” e que corresponde um valor global de investimento cerca de 170 milhões de euros.

Entre as candidaturas apresentadas destacam-se os projetos de recolha seletiva, unidades de confinamento, preparação e tratamentos de resíduos urbanos, construção de parques de otimização dos modos de recolha seletiva multilateral, unidades de tratamento mecânico e biológico e a preparação de resíduos urbanos para compostagem.

Os projetos apresentados visam a promoção da reciclagem e a valorização orgânica de resíduos urbanos e devem contribuir para alcançar as metas nacionais que passam pelo aumento em 50% da preparação para reutilização e reciclagem de resíduos urbanos e para a redução para 35% dos resíduos urbanos biodegradáveis depositados em aterro.

Os destinatários deste aviso são as entidades gestoras de resíduos urbanos, tais como os municípios e as entidades municipais, intermunicipais e multimunicipais responsáveis pela gestão dos resíduos urbanos produzidos na área da sua intervenção.

As candidaturas serão apreciadas em tempo útil, de modo a que uma parte dos investimentos se concretizem no segundo semestre de 2016.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Esclarecimento da APA sobre a Central Nuclear de Almaraz

Na sequência das notícias divulgadas a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) emitiu um pareceu sobre o resultado de uma inspeção realizada pelo Consejo de Seguridad Nuclear de Espanha ao sistema de arrefecimento da Central Nuclear de Almaraz, que passamos a transcrever, pondendo o mesmo ser também descarregado aqui.

"Na sequência das notícias veiculadas hoje na comunicação social sobre o resultado de uma inspeção realizada por cinco inspetores do Conselho de Segurança Nuclear (CSN), em que se alerta para a possibilidade de ocorrência de falhas no sistema de arrefecimento da Central Nuclear de Almaraz, consideram-se pertinentes os comentários que se seguem.

O Consejo de Seguridad Nuclear de Espanha (CSN) é a entidade reguladora independente de Espanha para estas matérias, que depende apenas do Parlamento Espanhol e reconhecida como tal pelas entidades internacionais e comunitárias. O CSN é assim o regulador de todas as centrais nucleares espanholas, não sendo operador dessas centrais.

Portugal possui instrumentos bilaterais para acompanhar situações anómalas em qualquer Central Nuclear em Espanha, através dos protocolos e acordos estabelecidos entre autoridades espanholas e portuguesas. Neste âmbito, a APA solicitou de imediato informação adicional sobre a situação na Central Nuclear de Almaraz.

Foi dada a garantia a Portugal pelo CSN de que a Central Nuclear de Almaraz se encontra em condições de segurança.

Além disso e de acordo com a informação disponibilizada pelo CSN sobre a inspeção realizada à Central Nuclear de Almaraz, realizada na sequência de falhas ocorridas nos motores das bombas do sistema de refrigeração, concluiu o CSN que:
- todas as 5 bombas de água que garantem o arrefecimento dos sistemas de segurança dos reatores se encontram operacionais.
- o operador da Central adotou medidas mais restritivas que as previstas nas especificações técnicas de funcionamento, e que no caso de qualquer falha em alguma das 5 bombas implicará a paragem imediata dos reatores.
- o operador se encontra também a realizar as ações necessárias para determinar as causas das falhas que originaram a inspeção do CSN.
- Com a informação disponível atualmente o CSN não considera necessário requer ações adicionais ao operador da Central, e manterá o acompanhamento contínuo da situação.

É de salientar que não ocorreu qualquer acidente e que a inspeção preventiva cumpriu o objetivo de identificar potenciais falhas que possam dar origem a acidentes.

No âmbito das suas competências, a APA, continuará a acompanhar a situação.

Para mais informações, consultar nota do CSN em www.csn.es.

Adenda
Compete à APA acompanhar os aspetos de segurança nuclear associados aos riscos de acidentes em instalações nucleares, ao abrigo do Decreto-lei 165/2002 de 17 de julho.
A APA é também o ponto de contacto junto da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), enquanto Autoridade Competente para as Convenções de Notificação Rápida e Assistência de Acidentes Radiológicos e Nucleares, e junto da Comissão Europeia, ao nível do sistema European Community Urgent Radiological Information Exchange (ECURIE).
A APA assegura ainda o contacto técnico com a Autoridade Competente de Espanha para emergências radiológicas e nucleares de Espanha, o Consejo de Seguridad Nuclear (CSN).
Adicionalmente, o D.L. nº 174/2002, atribui à APA, competências de Autoridade Técnica de Intervenção (ATI): “em todas as situações de emergência radiológica de que resulte ou possa resultar risco para a população e o ambiente”.
A Agência Portuguesa do Ambiente, a Autoridade Nacional de Proteção Civil, o Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, da República Portuguesa, e o Consejo de Seguridad Nuclear do Reino de Espanha, assinaram a 30 de julho de 2015, um Protocolo Técnico no âmbito de emergências nucleares e radiológicas e proteção radiológica ambiental.
A Agência Portuguesa do Ambiente mantém operacional uma rede de medida da radioatividade no ambiente em contínuo de modo que possam ser detetadas situações de aumento anormal de radioatividade no ambiente, a Rede Nacional de Alerta de Radioatividade no Ambiente (RADNET). Os dados recolhidos por esta rede estão disponíveis no sítio: http://sniamb.apambiente.pt/Home/Default.htm"

sábado, 23 de janeiro de 2016

Cheias no Mondego: Ministério do Ambiente convida Ordem dos Engenheiros para elaborar manual de procedimentos


O Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes decidiu convidar a Ordem dos Engenheiros para estudar e desenvolver uma estratégia e respetivos procedimentos sobre o sistema de alerta de cheias do Mondego.
Esta decisão surgiu após a reunião, desta tarde, na Câmara Municipal de Coimbra que contou com representantes de todas as entidades envolvidas na gestão e avaliação das cheias ocorridas entre 9 e 11 de janeiro.
No encontro foram avaliados os aspetos hidrológicos, as medidas de prevenção e minimização e a articulação entre as diversas estruturas envolvidas.
Na reunião, o Ministro Matos Fernandes propôs convidar a Ordem dos Engenheiros para proceder à revisão do sistema de alerta de cheias no Mondego, o que foi aceite por todos os participantes.
A Ordem dos Engenheiros aceitou o convite de Matos Fernandes e já é conhecido o calendário para a elaboração deste importante documento.
Assim, os trabalhos terão início já na próxima semana e dentro de um mês estará concluído o relatório preliminar. O relatório final estará terminado dentro de três meses.  
Estiveram presentes na reunião em Coimbra o Ministro do Ambiente, O Secretário de Estado do Ambiente, o Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e o Presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, um representante do Secretário de Estado da Administração Interna, bem como representantes da Agência Portuguesa do Ambiente, representantes da Administração da Região Hidrográfica do Centro, representantes da Proteção Civil e da EDP.

Recorde-se que entre 9 e 11 de janeiro a subida das águas do rio Mondego causou inundações em especial na cidade e Coimbra. Apesar dos alertas terem sido acionados e das diferentes autoridades terem atuado como previsto não foi possível evitar os estragos conhecidos. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Boas Festas

Durante este mês de dezembro, o foco mundial virou-se para as alterações climáticas, no decurso da Cimeira de Paris. Sucesso obtido com o acordo mundial alcançado. Infelizmente, foram também notícia focos graves de poluição atmosférica e de fenómenos climáticos extremos. Por um lado, causando o cancelamento das viagens aéreas em Pequim ou os jogos no Irão, pela péssima qualidade do ar local, por outro, os mais de dois mil milhões de euros de danos (estimativas no pior cenário possível) no Reino Unido, atingido pelas maiores cheias das últimas décadas.
Os impactes graves a nível social e económico são agora mais evidenciados. Urge a implementação de medidas que reduzam as emissões de gases com efeito de estufa, mas também de adaptação às alterações climáticas. De facto, mesmo que a Cimeira de Paris tivesse levado a uma paragem das emissões, os efeitos continuariam a sentir-se durante vários anos.

No clima ou na poluição atmosférica, muitas são as possibilidades de acção, individual e colectiva. 
Seis meses volvidos do nosso desafio para novos compromissos individuais pelo Ambiente, e numa perspectiva de balanço de final do ano de 2015, o que conseguimos cumprir? Quais os obstáculos? 
Abracemos 2016 com esperança e confiança. Esperança para uma melhor qualidade de vida, com menor poluição e melhor eficiência energética. Confiança em conseguirmos fazer parte da solução. 
Quer seja na escolha da forma como nos deslocamos, como nos alimentamos ou no tipo de equipamentos que adquirimos, alugamos ou partilhamos, o desafio para 2016 é reduzirmos a nossa pegada, mantendo uma boa qualidade de vida.
Boas festas

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"As Crianças e o Direito e ter Direitos", no Dia internacional dos Direitos Humanos



Para assinalar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, convidámos Susana Amador a contribuir com uma reflexão sobre o tema, que aqui partilhamos. 

Curiosidades: A data foi instituída em 1950, dois anos após a Organização das Nações Unidas (ONU) adotar a Declaração Universal do Direitos Humanos como marco legal regulador das relações entre governos e pessoas. Nesta declaração  estão descritos os direitos básicos que garantem uma vida digna para todos os habitantes do mundo (liberdade, educação, saúde, cultura, informação, alimentação e moradia adequadas, respeito, não-discriminação, entre outros). 

A declaração é, nesse sentido, um marco normativo que serve de guia para as condutas de governos e cidadãos. 

A garantia efetiva dos direitos humanos – a todos os povos e nações – requer vigilância contínua e participação coletiva. Uma data para reivindicarmos ações concretas de todos os Estados para o cumprimento dos compromissos assumidos com a garantia dos direitos civis, políticos, sociais e ambientais.


----------

AS CRIANÇAS E O “DIREITO A TER DIREITOS”
 “Podemos nunca vir a saber que resultados produz a nossa ação. Mas, se nada fizermos, não haverá resultados”.
Mahatma  Gandhi,
  
A abordagem Internacional às crianças tem vindo a mudar. A ideia de que as crianças têm especiais necessidades, deu lugar à convicção que as crianças têm direitos e o mesmo catálogo de Direitos civis, políticos, sociais, culturais e económicos que os adultos.


A proteção é um dos objetivos fundamentais dos direitos humanos e do direito humanitário em geral, mas é seguramente também uma realidade que ganha importância acrescida quando considerada em relação a pessoas particularmente vulneráveis, como as crianças.

Espera-se que todos os membros da sociedade possam aderir de forma crescente á Agenda dos Direitos da Criança para o Século XXI, aprovada pela ONU num movimento mundial que contribua para a criação de um mundo apropriado para as crianças, subscrevendo os seguintes princípios e objetivos:

-          Colocar as crianças em 1º lugar em estrito cumprimento da regra do melhor interesse da criança;
-          Erradicar a pobreza, rompendo o ciclo de pobreza numa só geração;
-          Não permitir que nenhuma criança seja discriminada;
-          Cuidar de todas as crianças;
-          Educar todas as crianças;
-          Proteger as crianças da violência e da exploração;
-          Lutar contra o VIH/Sida;
-          Assegurar o princípio da participação;
-          Proteger a terra para as crianças, defendendo o nosso meio ambiente natural com a sua diversidade biológica, belezas e recursos que melhorem a qualidade de vida para as gerações atuais e futuras;
-          Proteger as crianças da guerra.

A exaltação dos Direitos da Criança tem vindo a ser feita de forma paulatina, comparada com a necessidade urgente para que ainda hoje milhões de crianças nos interpelam em todo o mundo.

As crianças têm sido ao longo dos séculos o rosto visível dos impactos devastadores das guerras, da fome, do tráfico humano e da violação sistemática aos seus mais elementares direitos humanos.

O tráfico de crianças, onde quer que aconteça, é uma terrível e intolerável violação dos seus direitos fundamentais a um crescimento saudável, à integridade física, á liberdade, á vida!

Cada um dos Estados envolvidos, como país de origem, de trânsito ou de destino, mas também as instâncias internacionais, devem procurar urgentemente formas de ação mais consequentes.

A crise atual dos Refugiados tem revelado à exaustão os dramas que as crianças enfrentam, muitas vezes perdendo a sua vida em longas travessias marítimas, terrestres ou no decurso de conflitos armados.
Na verdade mais de metade dos 40 milhões de refugiados do mundo são mulheres e crianças.

A relação final entre os Direitos Humanos e os problemas dos refugiados reside na formulação e adoção de soluções duradouras. Enquanto existirem violações dos Direitos Humanos nos países de origem, duvida-se que algum refugiado decida regressar voluntariamente. Assim, o restabelecimento do respeito por todas as categorias de direitos e a promoção dos mesmos, assim como o fim dos violentos conflitos nos países de origem, são condições necessárias para que se realize o regresso voluntário. Afinal, tudo começa com a violação de um ou mais direitos e tudo pode cessar com o restabelecimento desse direito, daí que a prevenção dos conflitos, a supervisão internacional permanente, a condenação das violações perpetradas e a assistência ao desenvolvimento sejam determinantes.

Portugal, enquanto membro do Conselho da Europa e Estado signatário da Convenção sobre os Direitos da Criança, tem também especiais responsabilidades quanto aos seus direitos e proteção adequada. O nosso ordenamento jurídico reflete obviamente tal proteção.

Assim, o artigo 69º da Constituição consagra o direito das crianças à proteção, impondo-se os correlativos deveres de prestação ou de atividade ao Estado e à sociedade. Este direito poderá justificar medidas especiais de compensação, sobretudo em relação às crianças em determinadas situações.

Infelizmente, nos últimos quatro anos, na sequência de uma deriva de direita e das políticas recessivas implementadas pelo PSD/CDS, as crianças portuguesas foram o rosto da crise. Com efeito, segundo os mais recentes dados do INE/Eurostat temos 850 mil crianças e jovens em situação de pobreza ou exclusão social. Por cada mês que a coligação PAF governava caiam na pobreza ou exclusão social 7 mil pessoas, das quais 2 mil são crianças e jovens.

O efetivo exercício dos direitos enunciados na Convenção dos Direitos da Criança, requer a firme convicção de traduzir progressivamente o que se encontra contemplado nas normas jurídicas, em práticas sociais e políticas públicas que assentem na promoção da igualdade de oportunidades e no desenvolvimento integral de todas as crianças e jovens, garantindo um exercício da cidadania, cada vez mais pleno. O edifício legislativo internacional, europeu e nacional está construído, carece de aperfeiçoamentos e urge fazê-lo cumprir...Trata-se de um imperativo ético indeclinável e todos nós somos responsáveis por esta impunidade e continuada violação aos Direitos das Crianças e por uma ainda não efetiva cultura de infância.

Susana Amador
Deputada à Assembleia da República/Ex Consultora do ACNUR